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Tecnologia

HL7 FHIR R4 e RNDS: guia de integração para gestores e equipes técnicas

O que é HL7 FHIR R4, por que o Ministério da Saúde adotou esse padrão para a RNDS, e o que gestores e equipes técnicas de municípios precisam saber para garantir a integração correta.

DHF SaúdeEquipe
30 de abril de 2026
10 min de leitura
HL7 FHIR R4 e RNDS: guia de integração para gestores e equipes técnicas

Se você é gestor municipal de saúde, provavelmente já ouviu falar em RNDS e HL7 FHIR - especialmente após a publicação da Portaria 3.232/2024 e da Nota Técnica 12/2025. Mas o que esses termos significam na prática? Por que eles importam para o seu município? E o que você precisa verificar no sistema que usa hoje?

Este artigo responde a essas perguntas de forma direta - tanto para gestores que precisam do panorama estratégico quanto para equipes técnicas que precisam dos detalhes de implementação.

O que é a RNDS

A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) é a infraestrutura digital criada pelo Ministério da Saúde para conectar todos os pontos do sistema de saúde brasileiro em uma única rede de troca de informações clínicas.

O objetivo é ambicioso: que qualquer profissional de saúde, em qualquer ponto do país, possa acessar o histórico clínico relevante de um paciente - independentemente de onde ele foi atendido anteriormente. Uma triagem no UPA de São Paulo pode recuperar o histórico de medicação de um paciente atendido em uma UBS do interior da Paraíba. Uma emergência hospitalar pode acessar os resultados de exames feitos na atenção primária semanas antes.

Para isso funcionar, os sistemas de diferentes fornecedores, em diferentes municípios e estados, precisam falar a mesma língua. É aí que entra o HL7 FHIR.

O que é HL7 FHIR R4

HL7 (Health Level Seven) é uma organização internacional que define padrões para troca de informações em saúde. FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources) é o padrão mais moderno dessa organização - uma especificação técnica que define como dados clínicos devem ser estruturados e transmitidos entre sistemas de saúde.

A versão R4 (Release 4) é a versão adotada pelo Ministério da Saúde como padrão obrigatório para integração com a RNDS.

Em termos práticos, o HL7 FHIR R4 define:

  • Resources: unidades de dado padronizadas (Paciente, Consulta, Medicamento, Resultado de Exame, etc.)
  • API REST: como os sistemas se comunicam para enviar e receber esses dados
  • Profiles: adaptações do padrão internacional para a realidade brasileira, definidas pelo Ministério da Saúde

Por que o FHIR é melhor do que os padrões anteriores

Antes do FHIR, o padrão dominante para troca de dados em saúde era o HL7 v2 - uma especificação criada nos anos 1980 que, apesar de amplamente adotada, é difícil de implementar, pouco flexível e inadequada para o mundo de APIs web modernas.

O FHIR trouxe três avanços fundamentais:

1. Arquitetura REST: os sistemas se comunicam via HTTP, usando o mesmo protocolo da web. Isso simplifica drasticamente a integração em comparação com os protocolos proprietários do HL7 v2.

2. Dados em JSON ou XML: formatos amplamente suportados por todas as linguagens de programação modernas.

3. Extensibilidade: o padrão define um núcleo mínimo obrigatório e permite extensões para necessidades específicas - como as extensões brasileiras definidas pelo Ministério da Saúde para a RNDS.

O que a RNDS exige na prática

A integração com a RNDS envolve dois fluxos principais:

Envio de dados (Sender)

O sistema municipal envia registros clínicos para a RNDS nos formatos definidos pelo Ministério. Os documentos obrigatórios para a APS incluem:

  • Sumário de Alta: resumo de atendimentos hospitalares
  • Resultado de Exame Laboratorial: resultados de exames realizados na rede municipal
  • Registro de Atendimento Clínico: registros de consultas na atenção primária (em implantação progressiva)
  • Dispensação de Medicamentos: registros de dispensação em farmácias da rede municipal

Consulta de dados (Receiver)

O sistema municipal pode consultar a RNDS para acessar dados clínicos de um paciente registrados por outros pontos da rede nacional - histórico de atendimentos, exames anteriores, medicações em uso.

O que gestores precisam verificar

Para gestores sem formação técnica, as perguntas corretas a fazer para o fornecedor do sistema são:

1. O sistema está homologado para envio de dados à RNDS via HL7 FHIR R4?

Exija comprovação - certificado de homologação ou documentação técnica oficial.

2. Quais resources FHIR o sistema suporta?

Verifique se os documentos obrigatórios para a APS estão implementados.

3. O sistema cumpre os profiles brasileiros definidos pelo Ministério da Saúde?

O FHIR permite adaptações nacionais. Os profiles brasileiros definem regras específicas - como campos obrigatórios adicionais - que o sistema precisa respeitar.

4. Qual é o mecanismo de autenticação com a RNDS?

A comunicação com a RNDS exige certificado digital ICP-Brasil. O fornecedor deve explicar como esse processo é gerenciado.

5. Como o sistema lida com erros de envio?

Registros rejeitados pela RNDS precisam ser identificados e reenviados. O sistema deve ter mecanismo de gestão de erros.

O que equipes técnicas precisam saber

Para desenvolvedores e analistas de TI municipais, alguns pontos técnicos relevantes:

Autenticação

A RNDS utiliza OAuth 2.0 com certificado digital ICP-Brasil para autenticação. O certificado é emitido em nome do estabelecimento de saúde (CNES) e deve ser renovado periodicamente.

Endpoints

A RNDS possui ambientes de homologação (para testes) e produção. O ciclo correto é: desenvolvimento → testes em homologação → certificação → produção.

Validação de recursos

O Ministério da Saúde disponibiliza um validador oficial de recursos FHIR no contexto brasileiro. Todos os recursos devem ser validados contra os profiles nacionais antes de envio para produção.

Monitoramento

O envio de dados para a RNDS deve ser monitorado continuamente. Falhas de comunicação ou rejeições silenciosas podem resultar em lacunas nos registros nacionais - e impactar o financiamento federal vinculado à qualidade dos dados.

A integração da DHF com a RNDS

A plataforma DHF implementa suporte nativo a HL7 FHIR R4 para integração com a RNDS, conforme os profiles brasileiros definidos pelo Ministério da Saúde. A arquitetura técnica contempla:

  • Módulo BTS (Barramento de Troca de Serviços) para comunicação com a RNDS
  • Módulo RAS Runners para registro de atendimentos clínicos
  • Coleta e integração de dados clínicos estruturados
  • Prontuário eletrônico com exportação em formato FHIR

Toda a arquitetura é desenvolvida em conformidade estrita com a LGPD e os requisitos de segurança da informação da ISO 27001.


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